Quanto vale o seu sucesso?
Não confunda desequilibrios pontuais e intencionais com uma vida sem sentido.
11/30
Trabalho com a creator economy e nos bastidores de uma grande operação do mercado. Esta semana, uma outra “grande player”, mais especificamente do marketing digital, fez um vídeo "intimista", anunciando que iria encerrar suas empresas, demitir 80% da equipe e voltar ao básico, ou seja, retornar ao que ela sempre gostou de fazer: gravar vídeos no tempo dela e sem a pressão de "vender" algo ou um estilo de vida de sucesso.
Ela contou que estava "cansada” de carregar nas costas uma folha de pagamento de 600 mil reais e inúmeras obrigações que, segundo a mesma, estavam “matando” a sua criatividade.
Esse post aqui não é sobre ela e muito menos sobre o que eu acho do vídeo ou do posicionamento, se concordo ou não e o que penso, isso, para mim não importa já que cada um faz o que quer da própria vida e responde pelos seus atos, narrativas e colhe aquilo que planta.
O que eu quero pensar alto com vocês aqui é sobre a visão de sucesso e o quanto tudo isso pode nos custar.
Como executiva de carreira no mercado jurídico tradicional por muitos anos, sei muito bem o peso dos desequilíbrios, dos excessos, das noites mal dormidas, das decisões sob pressão, dos dias alucinados e da cobrança para atingir números estratosféricos e determinadas posições institucionais e de mercado. Também conheço bem a sensação de nunca parecer ser suficiente e de sempre sentir que ainda faltava mais.
Melhor do que ninguém, sei o preço que paguei e o quanto custou cada excesso e cada desequilíbrio que cometi ao longo de alguns anos na minha vida pessoal em prol da minha carreira e posição.
Hoje faria algo diferente? Talvez.
Provavelmente seria mais objetiva e intencional. Talvez demarcasse melhor esses momentos de desequilíbrio para que eles realmente fossem pontuais e não um modo automático ou um estado permanente de sobrevivência ou um estilo de vida validado como sucesso.
Mas isso a gente só aprende vivendo, observando os outros e sentindo os efeitos.
Ao longo da minha jornada ouvi inúmeras vezes meus pais e pessoas mais experientes dizendo que eu estava me doando demais, me exigindo demais e me "passando”mas, mesmo já sentindo o peso, eu ignorava porque a vontade de conquistar o meu espaço, o meu "lugar ao sol”m e a minha sonhada estabilidade financeira e pessoal era tão grandes que muitas vezes eu nem percebia que estava levando uma vida sem sentido e completamente distante daquilo que eu realmente queria.
Acho, ou melhor, tenho certeza que todo mundo já passou por um momento meio "surtado” de excessos na vida. Mas, nada que é demais vale a pena. Nada que custa demais e tira a sua paz, se sustenta.
A vida não é mole, muito menos um strawberry como diz uma amiga minha. Mas ela precisa fazer sentido. Precisa valer a pena.
Por isso, sempre que você sentir que está fora do tom, revisite. Realinhe. Volte para o eixo e para o seu ponto de equilíbrio.
Desequilíbrios temporários e intencionais podem acontecer. Muitas vezes eles são necessários para que a régua suba, para que a gente saia das zonas de conforto e vá além mas, uma vida permanentemente desequilibrada, vazia e sem sentido, podem acreditar, não vale nenhum sucesso ou dinheiro no bolso.
Se posso te dar um conselho, não confunda desequilíbrios pontuais e intencionais com uma vida sem sentido, okay?

