Para a minha mãe.
Algumas coisas na vida a gente só entende com o tempo e a grandeza e a generosidade do amor de mãe é uma delas.
12/30
O amor materno é uma dessas forças silenciosas que a gente leva anos para compreender de verdade.
Eu saí de casa muito cedo. Como muitos jovens, eu tinha aquela ânsia de liberdade, de encontrar a minha própria voz, de ganhar o mundo. Queria descobrir quem eu era longe das referências de sempre, construir meu caminho, tomar minhas próprias decisões.
E fui.
Hoje, olhando para trás, depois de 25 anos vivendo longe, percebo quantas coisas só se revelam com o tempo. Quanto mais a vida passa, mais eu entendo o valor das coisas simples que um dia pareceram tão comuns.
Os almoços em família.
Os aniversários juntos.
Sentar para ver televisão sem assunto importante.
Falar coisas aleatórias na cozinha.
Apenas estar ali… vendo a vida passar.
Porque, no fundo, o que faz falta mesmo é aquilo que parecia tão cotidiano: o colo, o aconchego, a presença que sempre esteve disponível.
As maiores dores da minha vida, curiosamente, também atravessam a maternidade. Um dia ainda quero falar com mais calma sobre essa jornada de quatro perdas gestacionais que vivi. Todas elas aconteceram longe da minha mãe.
Tive amigas que, por muitos anos, foram verdadeiras mães de coração. Mulheres incríveis que cuidaram de mim, me acolheram e me ajudaram a atravessar momentos difíceis.
Mas a verdade é que nada, absolutamente nada, substitui o colo da nossa mãe.
Hoje escrevo isso com lágrimas nos olhos.
Talvez porque, com o passar dos anos, a gente comece a sentir o tempo escorrendo pelas mãos. Talvez porque a distância física faça tudo parecer ainda mais intenso. Talvez porque seja duro lidar com essa finitude silenciosa da vida, com o tempo que não volta, com a sensação de uma ausência que, mesmo cheia de amor, ainda é ausência.
Agora há pouco minha mãe me mandou uma mensagem: um vídeo do Frei Gilson rezando pelos filhos.
Ela sempre reza por nós.
Mesmo longe, eu sinto a presença dela na minha vida. Seja nas caixas de aniversário recheadas com delícias que ela sempre dava um jeito de me mandar com tudo que u gosto de comer hahah e com cartões e presentes cheios de carinho assinando por ela e pelo meu pai, nos “bom dias” diários pelo whats, pelos vídeos que ela me envia do IG e por aí vai, tanto que, toda vez que vou viajar, não embarco sem antes pedir que ela acenda uma vela no relicário dela, aquele cantinho cheio de santinhas e santinhos, e faça uma oração por mim.
E ela faz.
Sempre fez.
Só quem tem pais vivos e mora longe entende essa mistura de saudade, gratidão e medo do tempo passando.
Por isso, se você ainda tem seus pais por perto, aproveite. Esteja presente. Almoce junto. Escute histórias repetidas. Abrace sem pressa. Retribua todo o amor e carinho que recebeu.
Porque, no fim das contas, é isso que dá sentido à vida.
É isso que enche o coração.
Mãe, obrigada por sempre se fazer presente, pelas orações, pelas puxadas de orelha, pelo amor imenso e por me ajudar a ser quem eu sou.
Eu amo vocês.
E daqui de longe, também rezo todos os dias para que Deus os conserve por muitos e muitos anos. Porque não existe remédio melhor, nem lugar mais seguro no mundo, do que o colo de mãe.
Espero ver vocês logo, com amor e muitas saudades sempre.

