O que você ainda está deixando para depois?
Às vezes, sair da zona de conforto não significa começar algo novo, mas finalmente voltar para aquilo que sempre foi seu.
30/30
Conseguimos e temos que celebrar!
Foram 30 textos. Trinta encontros comigo mesma e com vocês.
Talvez esse seja o melhor resumo desse desafio que me propus como experiência aqui no Substack: voltar a escrever de forma livre, sem a pressão de ter que falar sobre isso ou aquilo.
Para mim, esses 30 artigos foram, de certa forma, um reencontro. E eu senti falta disso por muito tempo.
Há 11 anos, criei um blog. Naquela época, isso fazia todo sentido para quem veio da geração do papel de carta, das agendas rabiscadas, dos diários improvisados e da necessidade quase instintiva de transformar sentimentos em palavras. Eu sempre gostei de escrever. Sempre. De certa forma, escrever sempre foi uma extensão de quem eu sou.
A escrita, para mim, assim como a leitura, sempre foi uma forma de despressurizar emocionalmente. Quando você escreve, consegue colocar para fora, tangibilizar emoções, organizar pensamentos e entender o que sente. Quando você lê, acontece algo igualmente poderoso: você desacelera, oxigena a mente, se desconecta do excesso e se reconecta com aquilo que importa.
Livros sempre foram caminhos. Portas. Convites para novas perspectivas. Às vezes, para me emocionar com uma história. Às vezes, para aprender algo novo. Às vezes, apenas para lembrar que existem infinitas formas de olhar para a vida. Talvez por isso eu sempre tenha associado leitura e escrita com viagem, porque ambas expandem, deslocam e transformam, nos tocando intimamente.
E, ainda assim, mesmo curtindo esse processo, durante meses, talvez quase um ano, eu resisti a voltar a escrever. Entrava no blog e saía. Começava uma ideia e abortava. Adiava. Até que teve aquele episódio em que eu simplesmente perdi o blog. E, ironicamente, foi isso que me trouxe até aqui.
O Substack não surgiu como plano. Surgiu como consequência. E esse processo de me propor a escrever 30 textos de forma livre, por isso o marcador de 30/30, me fez pensar no quanto demoramos para tirar sonhos do papel.
Eu sempre quis escrever mais. Sempre pensei em um livro, em crônicas, em um espaço que fosse verdadeiramente meu. Mas a rotina vai ocupando espaço, a urgência vai vencendo o importante e, aos poucos, a gente vai se abandonando sem perceber. Quando você vê, o tempo passou.
Esses 30 textos nasceram justamente disso: da necessidade de destravar. Da vontade de voltar a fazer algo pelo simples prazer de transbordar. Sem compromisso com engajamento, sem obrigação de gerar comoção, sem estratégia para vender, captar lead, performar ou evidenciar uma autoridade pessoal. Foi a escrita pelo simples prazer da escrita.
Porque quando a gente escreve com verdade, inevitavelmente encontra quem se reconhece ali. Esse espaço virou isso: um lugar onde penso alto, compartilho experiências, organizo ideias e divido perspectivas. Um ambiente de troca genuína.
Foi muito bom viver isso. Foi muito bom escrever quando eu queria, sobre o que eu queria, do jeito que fazia sentido. Foi muito bom perceber que me colocar em desafio me fez crescer.
Porque sair da zona de conforto nem sempre significa fazer algo grandioso. Às vezes, significa simplesmente voltar para algo que sempre foi seu, mas que você deixou para depois.
Esses 30 artigos foram isso: um exercício de retorno, de coragem e de autenticidade.
Eu queria escrever 30 textos seguidos, sem pausa. Mas, no momento em que percebi que isso começava a me gerar mais mal-estar, e não aquele desconforto saudável do crescimento, mas o automático que eu não gosto, eu entendi que precisava ajustar a rota.
Porque aqui eu não quero ser automática. Aqui eu quero ser criativa. Quero ser genuína. Quero agir com intencionalidade, mas de uma forma leve e positiva. Não para obter algo de alguém, mas para servir. Não para performar, mas para construir.
Existe uma diferença enorme entre produzir por obrigação e criar por verdade. E eu escolho a segunda. Sempre.
Esses 30 artigos representam muito mais do que uma meta cumprida. Eles representam uma nova versão, um novo ritmo e uma nova forma de ocupar espaço.
Agora, nesse novo momento, quero organizar melhor minhas ideias por aqui. Talvez compartilhar sessões mais específicas, trazer reflexões mais estruturadas, dividir dicas de coisas que eu gosto e que acredito que valem a pena ser compartilhadas. Inspirações, referências, aquilo que me emociona, o que me provoca, o que me faz pensar.
Quero falar sobre carreira, sobre bastidores corporativos, sobre mercado, liderança, ambidestria, inovação, futuro do trabalho e sobre o dia a dia real de quem vive tudo isso. Sobre a construção constante entre estratégia e sensibilidade.
Como conselheira, como executiva de mercado que fez uma transição de carreira e agora atua como CEO de uma EdTech, eu acredito que posso ajudar muita gente. Não porque tenho respostas prontas, mas porque vivi e sigo vivendo muitas das perguntas que ainda inquietam tanta gente.
Da mesma forma, também quero compartilhar sobre a minha vida de imigrante vivendo aqui nos EUA, o reencontro com o meu feminino, vida real, dicas e novos olhares sobre a vida.
Talvez esse espaço seja justamente isso: um lugar para compartilhar travessias e seguir buscando a nossa melhor versão, não de uma maneira ansiosa, mas com maturidade e intenção.
Estar aqui, para mim, escrevendo, interagindo, aprendendo e me inspirando, representa a lembrança de que a gente nunca deveria abandonar aquilo que nos faz sentir vivos.
Escrever me lembra disso. Ler também. Viajar também. Sonhar, principalmente.
Porque toda vez que a gente se desafia a sair de um lugar que nos engessa, algo novo se abre.
E talvez crescer seja exatamente isso: parar de adiar aquilo que, no fundo, sempre soubemos que era nosso caminho.
Vem comigo?

