Marco zero?
Os 50 anos estão logo ali...
Como um marco para celebrar, registrar e até entender tudo isso, resolvi que, nos próximos 30 dias, numa espécie de contagem regressiva e também como um diário virtual, vou compartilhar um pouco do que vivi até aqui. Pontos que me marcaram, lições que aprendi, situações que me construíram e me desconstruíram, e que me trouxeram até este momento.
Acho que todo mundo que chega aos cinquenta sente, em algum grau, aquele famoso: “e agora?”
Confesso: não é fácil. E muito menos confortável estar aqui. Especialmente porque, nos últimos três anos, fiquei mais introspectiva e seletiva com tudo. Sem perceber, por ter somatizado algumas dores e situações, acabei me fechando. Me isolando. Me anestesiando com trabalho, trabalho e mais trabalho.
A verdade é que o trabalho sempre foi, para mim, fuga. Refúgio emocional. Uma alienação intencional. Mas isso é papo para outra hora.
Agora quero falar sobre o tempo. Tempo que parece correr contra mim.
Tempo que já não posso mais desperdiçar.
Será que só eu estou com essa sensação mais tangível de finitude? De que o tempo deixou de ser infinito e passou a ser urgente?
Esses dias vi alguém celebrando os 50 anos com uma grande festa que chamou de “marco zero da longevidade”. Isso me fez refletir sobre o próximo ciclo que se inicia. Um ciclo que já não carrega o mesmo frenesi, a mesma ansiedade ou a tolerância automática a tudo e a todos.
Concordei com ela. Que seja, então, meu marco zero da longevidade.
Espero chegar bem aos 90, quem sabe aos 100. Apesar de saber que, muitas vezes, trabalho contra a minha própria saúde. Mas isso também não é a pauta agora.
Neste exato momento, eu só quero me sentir capaz de fazer algo por mim. Algo pelo simples prazer de fazer. Algo que alimente minha alma e faça vibrar meu coração.
E escrever sempre fez parte da minha história, eu inclusive já tive um blog, e que fase gostosa, como era divertido.
Por isso decidi e por me fazer tão bem, resolvi retomar hoje esse hábito. Voltar a escrever aqui e no meu diário. Colocar emoções, sentimentos, percepções, preocupações, sonhos e projetos no papel, no Substack ou onde quer que seja.
Escrever, para mim, sempre foi oxigênio. Uma forma de deixar fluir. De permitir que a vida aconteça.
Não é fácil. Mas, ao mesmo tempo, há um quentinho no coração. Uma sensação de volta para casa. De acolhimento. De pertencimento.
E, neste mundo barulhento, cheio de comparações e “tem que isso”, “tem que aquilo”, talvez nada seja mais revolucionário do que voltar ao básico. Ao que é seu. Ao que faz sentido.
Se você chegou até aqui e ainda não entendeu muito bem o porquê de tudo isso, eu explico: este é um espaço pessoal. Sem filtros. Onde vou trazer muito de mim e um pouco de tudo.
Se quiser, pegue um chá. Um vinho. Ou apenas abra o coração. Permita-se estar aqui. Trocar ideias. Ler. Absorver.
Esses 30 dias serão um aquecimento para mim. Mas também um processo de, aos poucos, me despir de algumas armaduras. Deixar ir o que não faz mais sentido. Escrever uma nova história. Escolher novos caminhos, novas paisagens, novas estradas e olhares, de viver novas experiências e de escrever uma nova história nesta fase da vida.
Quero, no mínimo, mais 50 anos para dar conta de tudo o que ainda ressoa aqui dentro. De tudo o que ainda quero realizar.
Hoje moro na Flórida e sigo me surpreendendo com essa vida de imigrante, onde todos os dias aprendo algo novo. Descubro novas estradas. Reaprendo a caminhar.
Que tudo o que vivi, estou vivendo e ainda vou viver possa, de alguma forma, ajudar alguém. Que minha experiência pessoal, profissional e agora imigratória possa agregar, provocar, inspirar.
O compromisso aqui é ser real. Ser intensa e, ao mesmo tempo, calmaria.
Fazer valer a pena.
Porque o tempo, sim, agora corre diferente.
E cada dia é menos um dia. Então que cada dia conte. Que cada dia seja especial, afinal, a finitude não é uma ameaça, ela apenas nos lembra que a vida merece ser vivida e que todos os dias ao acordar recebemos um presente que não merece ser "deixado de lado".
Com carinho,
Paty.


How beautifully you write. I hope you do continue to journal and share with substack all of your future journey on turning 50 and beyond. Please also share your backstory. It would be nice to learn from another person reaching birth milestones! 💞