Fotografia, um pausa no tempo.
Entre caixas de fotos, memórias felizes e pedaços de uma vida.
10/30
(Imagem: reprod/mundo das fotos)
Eu sempre tive uma relação muito especial com fotografia, desde pequena.
Sempre curti polaroids, máquinas analógicas e digitais. Quase sempre tinha uma comigo. Ao longo da minha vida fui fotografando e revelando e, hoje, tenho caixas e mais caixas de fotos guardadas. Com a mudança aqui para os EUA, trouxe apenas algumas e confesso que estou ansiosa para trazer o resto.
Eu amo olhar para elas, em especial as com meus irmãos, pais e amigos. Ver os sorrisos, lembrar dos momentos e sentir aquela sensação curiosa de que aquele pedaço de tempo é só meu, de mais ninguém.
Talvez porque, no fundo, uma fotografia seja exatamente isso: uma pausa no tempo.
Um instante que, se não fosse capturado, simplesmente desapareceria.
Muito antes dos celulares, das nuvens digitais e dos milhares de arquivos que hoje acumulamos quase sem perceber, fotografar sempre foi um ritual para mim. Eu cheguei a fazer um curso profissionalizante de fotografia no Centro Europeu, mergulhando naquele universo de câmera manual, fotometria, abertura, velocidade e luz.
Mas o que realmente me encantava nunca foi a técnica, sempre foi a sensibilidade do olhar. Tinha uma fotógrafa, a Carol, que hoje não está mais entre nós, que dava um verdadeiro show. As fotos de casamento e de família dela eram especiais, transbordavam amor e sentimento.
Eu, como ela, sempre tive uma queda especial por fotos e histórias de famílias e, principalmente, de crianças. Tanto que no meu trabalho final do curso fotografei a Gabi, do Meu Anjo Gabriela.
Talvez porque nas crianças exista algo muito verdadeiro, espontâneo e impossível de ensaiar. Crianças não posam para a vida, elas simplesmente são. E a fotografia tem esse poder bonito de capturar esses instantes tão genuínos.
E o processo de revelar? Como eu amava isso.
Entrar em um quarto escuro e ver a imagem surgindo lentamente no papel, ganhando contornos como se fosse mágica. Aquela foto que antes era apenas um negativo, de repente começava a aparecer ali, diante dos olhos, ganhando forma, luz e memória.
Sempre gostei de revelar, de montar murais de fotos ou simplesmente guardar tudo em caixas. Meu marido até brinca dizendo que essa é a minha porção adolescente, bem anos 80. Pode até ser… hahaha. Mas, para mim, não existe nada mais especial do que ter, além das fotos, as memórias reais de um tempo feliz.
Hoje vivemos no mundo do digital. Fotografamos o tempo todo, acumulamos milhares de imagens nos celulares, nas nuvens, em pastas dentro de pastas que muitas vezes nunca mais abrimos.
Eu sou da geração que revelava os filmes de fotos na Kodak ou na Fuji e ainda ganhava aqueles albunzinhos bem mequetrefes. Quem lembra disso?
Antigamente as fotos viviam em caixas, em álbuns, em gavetas que de vez em quando abríamos para ver, rir e reviver. Quem aí já não passou uma tarde ouvindo histórias de família enquanto folheava uma caixa de fotos?
É muito gostoso, não é?
Até então eu só tinha uma pequena impressora portátil para microfotos e adorava usá-la. Hoje chegou uma nova impressora para fotos normais e por isso eu resolvi escrever porque algo mexeu aqui dentre e também porque hahaha passei a tarde inteira imprimindo.
Que sensação boa. Foi quase como reviver pedaços da vida e, ao mesmo tempo, tangibilizar memórias tão gostosas. Viagens, amigos, família… momentos que voltam à tona quando a gente para para olhar.
Talvez seja isso que eu mais ame nas fotografias. Elas não guardam apenas imagens. Elas guardam histórias, sentimentos e pequenos pedaços de quem fomos em determinados momentos da vida.
E, às vezes, tudo o que precisamos é disso: abrir uma caixa, olhar uma foto e lembrar que aquele tempo existiu. Que foi vivido. Que foi nosso e que, de alguma forma, também ajudou a formar quem somos.
E você? Curte fotografia? O que ela representa para você?
Você gosta de revelar e guardar suas memórias ou é da turma que joga tudo no Dropbox e nunca mais acessa? Me conta.

