Cinquentei!
Sobre o que realmente importa, o valor do simples e o amor que fica
19//30
Ontem eu fiz 50 anos.
Acordei feliz, mas não era uma felicidade qualquer. Era daquelas que vêm de dentro, que não dependem de nada externo para existir. Ao longo do dia, fui sendo surpreendida de todas as formas possíveis: mensagens, áudios, ligações, orações, vídeos do mar, do pôr do sol, desenhos… e, em cada gesto, um verdadeiro transbordo de amor.
E como é bom sentir e viver o amor. Saber que existem pessoas que se importam, que lembram, que param um instante do seu dia para estar presentes, mesmo que à distância.
Eu me senti profundamente amada e isso é tão gostoso que mexe com a gente e emociona.
Na verdade, eu tenho vivido um tempo especial, de renovo, de reencontros e, principalmente, de mais consciência aqui em Orlando. Imigrar traz desafios, desloca, exige reconstrução mas, também amadurece, amplia, transforma.
E, nesse processo, algo tem feito toda diferença para mim. Tenho me aproximado mais de Deus. Caminhamos juntos, literalmente, todos os dias. São momentos silenciosos e, ao mesmo tempo, cheios de presença. Dividir a vida com Ele, conversar, refletir… muda o jeito de enxergar tudo.
Talvez por isso tenha ficado tão claro, ontem, que somos muito mais ricos do que imaginamos. E não tem absolutamente nada a ver com dinheiro.
Essa riqueza está nas relações construídas ao longo do tempo, nas conexões verdadeiras, no amor que se dá e, de alguma forma, encontra caminho de volta. Está também na capacidade de perceber a beleza do simples, nas pequenas coisas que, com o tempo, revelam ser as mais importantes.
Amadurecer tem muito disso. Um refinamento do olhar. Uma escolha mais consciente sobre onde colocar energia, tempo e presença.
E, ainda assim, tantas vezes o foco insiste no que falta, no que não deu certo, no que ainda não chegou. Ontem foi um lembrete forte de que já existe muito. Muito que já é. Muito que já transborda.
E transbordou.
Não foi sobre festa. Foi sobre sentir. Sentir que vale a pena viver com intensidade, sem economizar presença, sem medir entrega. Nunca soube viver pela metade. Sempre fui intensa, generosa, presente. E ver isso retornar de forma tão genuína só reforçou uma certeza tranquila: vale a pena.
No fim, não é sobre acumular, mas sobre marcar. Sobre a forma como se passa pela vida das pessoas. Sobre o que permanece depois de um encontro, de uma conversa, de um gesto.
E isso não tem preço.
Cinquenta anos chegaram leves. Sem peso, sem ruptura, sem crise. Existe leveza na alma, juventude na cabeça e no espírito, e uma sensação muito sincera de paz com as escolhas feitas até aqui.
Dizem que os 50 são os novos 30. Pode até ser. Mas hoje parece menos sobre número e mais sobre estado interno. Idade marca o tempo, mas o que realmente transforma é como se vive, como se escuta, como se respeita a própria trajetória.
Há algo especialmente bonito em olhar para trás e reconhecer que foram construídas relações cheias de afeto, de verdade, de presença. Existe uma alegria genuína em perceber que, em algum momento, foi possível tocar o coração de alguém.
Talvez seja isso o amor, no seu sentido mais amplo. E talvez seja isso que, no fim, dá sentido a tudo.
Que eu possa seguir leve, feliz e em paz com as minhas escolhas.Me curando e sendo cura. Me transformando e evoluindo, dia após dia.
Que eu nunca perca a capacidade de dar e receber sorrisos até a barriga doer.
De dançar e cantar Frozen com as crianças como se tivéssemos a mesma idade.
De olhar para um céu azul, para um dia florido, e simplesmente agradecer.
Porque, no fundo, é ali que Ele me mostra que está aqui comigo.
Que a minha vida é preciosa para Ele. Que vale a pena viver.
Que vale a pena ser uma pessoa do bem, generosa comigo e com os outros.
Que a vida pode ser leve e feliz, desde que eu escolha e me permita viver assim.
Isso não significa ausência de dor. Ela vem. Faz parte mas, existe uma diferença enorme em saber que não se está sozinho.
E talvez eu já esteja filosofando demais por aqui…Mas a verdade é que eu sigo assim
ainda cheia de amor e feliz e grata por dia de aniversário tão especial. Não podia começar esse novo ciclo e o meu marco zero da longevidade de forma melhor, concordam?

