Cada qual com o seu caos!
A urgência do outro só se torna sua quando você escolhe isso.
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Imagem:reprod/pinterest
Existe uma armadilha silenciosa na vida adulta: assumir o caos dos outros.
Ele costuma chegar carregado de urgência, intensidade e expectativa de solução. E, quando percebemos, já estamos tentando organizar problemas que não criamos, resolver B.O.s que não são nossos e administrar crises, erros, displicências e tolerâncias que pertencem à história de outras pessoas.
Isso não acontece apenas nas relações afetivas. Acontece no trabalho, nas amizades, na família e na vida em geral.
Aos poucos, vamos nos deslocando do nosso próprio eixo para tentar dar conta do mundo alheio. Quem aí já não foi “engolido” pelo problema de alguém?
E acredite: o preço desse tipo de concessão ou envolvimento não é barato. Pelo contrário, quase sempre é alto. Muitas vezes perdemos a nossa paz e o nosso equilíbrio tentando ser calmaria na tempestade do outro. Perdemos tempo, presença e energia tentando sustentar urgências que não nasceram em nós.
E o pior não é apenas o desgaste. É aquela sensação íntima de frustração que aparece depois, quando sabemos, lá no fundo, que aquilo não nos cabia.
Empatia é necessária. Cuidado também. Mas, às vezes, uma dose de egoísmo de nossa parte não faz mal a ninguém. É fácil? Claro que não. Geralmente estão envolvidas pessoas importantes para nós, em alguma medida. Ainda assim, a maturidade emocional exige algo que muita gente, inclusive quem vos escreve, ainda resiste em aprender: limites.
Cada pessoa precisa assumir o seu lugar, as suas escolhas e as consequências delas.
Não somos responsáveis por salvar o mundo, nem por resolver os B.O.s de todo mundo. A chamada síndrome da heroína justiceira pode até parecer virtude, mas quase sempre é apenas um caminho silencioso para o autoabandono, muitas vezes alimentado por insegurança ou pela necessidade de aceitação.
É fato: enquanto tentamos resolver o caos do outro, algo nosso vai ficando pelo caminho.
Às vezes é a paz.
Às vezes é a energia.
Às vezes é o brilho.
E, muitas vezes, é algo ainda mais precioso: o nosso tempo de vida.
O tempo que poderia estar sendo investido em um projeto próprio, em uma oportunidade que passou, em uma ideia que ficou na gaveta ou em um movimento que não fizemos porque estávamos ocupados demais tentando sustentar o mundo de alguém.
E há algo importante de aceitar na vida adulta: nem tudo que é prioridade para alguém será prioridade para você. E está tudo bem. Maturidade também é reconhecer isso sem culpa, sem a necessidade de salvar, consertar ou carregar o que não nos pertence.
Talvez um dos maiores sinais de lucidez seja aprender a proteger aquilo que não volta: o nosso tempo e a nossa energia.
E você, tem vivido o seu caminho ou tem usado o seu tempo tentando ser boia salva-vidas de alguém?

