Blues zones, o que elas podem nos ensinar.
E você o que anda construindo por aí: um ambiente de longevidade ou um ambiente de exaustão silenciosa?
08/30
Foto:divulgação Netflix
Como alguns de vocês já devem saber, este mês completo meio século de vida: 50 anos. Por conta disso, e também da menopausa, tenho lido e pesquisado muito sobre qualidade de vida, longevidade, hábitos, comportamentos e alimentação, especialmente das pessoas que vivem nas chamadas Blue Zones.
As Blue Zones foram identificadas pelo pesquisador Dan Buettner, em parceria com a National Geographic. Se vocês ainda não viram e tem curiosidade, há um documentário na Netflix que mostra um pouco dessa pesquisa e dessas regiões. Esses centros de longevidade são áreas com alta concentração de pessoas que vivem 90, 100 anos ou mais, com autonomia e qualidade de vida.
As cinco Blue Zones clássicas são:
Sardenha, na Itália
Okinawa, no Japão
Nicoya, na Costa Rica
Loma Linda, nos Estados Unidos
Ikaria, na Grécia
Atualmente, existem inúmeras cidades pelo mundo buscando essa certificação e implementando hábitos e programas voltados para mais qualidade de vida e longevidade.
Eu quero muitoooo conhecer algumas delas. Aqui perto de mim, Naples, na Flórida, tem trabalhado para buscar esse selo para a cidade. Estou me planejando para conhecer a região e também para visitar pelo menos duas ou três das oficiais nos próximos dois anos. Quem sabe não rola um combo Itália e Grécia? Ou uma viagem para o Japão, que eu tenho muita curiosidade de conhecer?
Enfim, um universo de possibilidades se abriu para mim com a chegada dos 50. E quero muito compartilhar aprendizados e experiências por aqui.
Para facilitar, resumo os cinco principais pontos em comum das Blue Zones oficiais. Quem sabe isso não inspira ou, ao menos, faz vocês refletirem sobre seus hábitos, comportamentos, escolhas e estilo de vida?
Alimentação mais natural e sem excessos
A base da alimentação é vegetal: legumes, verduras, grãos e feijões. Carne aparece pouco, geralmente de forma ocasional. Ultraprocessados quase não existem. Açúcar é mínimo.
Em Okinawa, existe a regra dos 80 por cento: parar de comer antes de ficar totalmente satisfeito. No fim, é comida simples, caseira, local e sem exageros.
Minha avó já dizia: café da manhã de rainha, almoço de princesa e jantar de plebeia. E sempre com moderação.
Movimento natural
Eles não vivem em academia. Caminham, agacham, cuidam dos jardins e das hortas, sobem e descem ladeiras, fazem tarefas manuais e se mantêm ativos ao longo do dia.
O segredo não é intensidade. É constância ao longo da vida.
Propósito claro
Em Okinawa, chamam de ikigai. Na Nicoya, plan de vida. Eles sabem por que acordam de manhã. Mantêm-se úteis mesmo aos 90 anos. Não se aposentam da vida.
Porque longevidade sem propósito não se sustenta. Depois quero falar mais sobre isso, sobre o Ikigai, o que vocês acham?
Conexões sociais fortes
Família e amigos próximos. Vida social ativa. Comunidade presente. Relações vivas e amigos de longa data. A solidão é um dos maiores fatores de risco para mortalidade precoce e pode reduzir em até 15 por cento a expectativa de vida.
Baixo estresse crônico
Eles têm problemas, claro. Mas vivem em um ritmo mais lento, sem esse frenesi e essa obesidade mental que vivemos hoje, no excesso de tudo.
Fazem pausas naturais ao longo do dia, descansam, tiram uma soneca e mantêm rituais espirituais ou religiosos. Em Ikaria, por exemplo, a soneca é comum. Na Sardenha, há o vinho artesanal, produzido manualmente e compartilhado entre amigos. O mel cru também faz parte da cultura local e segundo eles, previne o câncer.
O ponto aqui não é a ausência de estresse, é o respeito ao próprio ritmo e uma atenção a recuperação constante.
Assistindo ao documentário, percebi algo que me chamou atenção: todos se movimentam com leveza. Há danças, interações, jogos, risos e muitos risos. Eles levam a vida com leveza, sem uma auto-cobrança que é muito comum a minha geração.
Fato é, a longevidade pode ser alegre e suave e, confesso que isso me deixa animada com tudo o que ainda está por vir.
Para fechar, percebi que, nas Blue Zones, os centenários não vivem mais porque fazem algo extraordinário ou seguem fórmulas milagrosas. Eles vivem. E vivem mais porque não estão em guerra constante contra o próprio corpo e contra a própria vida.
Não há excesso crônico. Não há pressa permanente. Não há essa necessidade moderna de provar valor o tempo inteiro, como hoje fazemos.
Há comida simples. Movimento natural. Vínculos fortes. Propósito e Pausas.
A longevidade ali não é um projeto agressivo de performance, mas uma consequência de um estilo de vida simples e feliz. Acho, ou melhor, sinto que temos muito a refletir, concordam?

