A tal da disciplina
Mais difícil que começar é recomeçar, por aí também é um desafio?
02/30
Lembra que ontem comentei que muitas vezes eu mesma me “saboto” e trabalho contra a minha saúde? Pois é. Durante anos, a desculpa para não me cuidar era o excesso de trabalho e o fato de eu não ser “dona da minha agenda”, já que tinha uma rotina intensa como executiva, atendendo clientes e batendo a famigerada meta (pauta boa para falar por aqui também).
Entre idas e vindas, matrículas em inúmeras academias e a contratação de diversas personal trainers, eu ia levando e tocando a minha vida nada fitness. Fingindo que me exercitava, acreditando que estava me cuidando e vivendo em um ciclo vicioso e perigoso de engorda e emagrece, para e retorna.
Somado a isso, ainda tinha o tal pensamento de compensação: “ah, hoje eu mereço um bolinho”, “hoje eu preciso de um docinho”, “hoje foi punk, mereço um chocolate”. Quem aí já não passou por isso? Quem nunca caiu de boca em um brownie chocolatudo com calda de Nutella para aliviar um mau dia de trabalho ou um resultado que não veio?
Durante anos vivi nesse vai e vem. Tive, e ainda tenho, questões com a minha imagem, com o meu peso e, principalmente, com a minha autoestima. Fácil abrir isso aqui? Nem um pouco. Mas, à medida que a gente amadurece, vai se entendendo, se aceitando e lidando com aquilo que incomoda e nos deixa desconfortáveis. Também passamos a lidar com as consequências das nossas ações e escolhas. Afinal, a conta chega e as fichas caem.
A gente para de se enganar, cai na real e entende, de uma vez por todas, que tudo na nossa vida, inclusive e principalmente na saúde, é colheita. O nosso corpo, a nossa autopercepção, são resultados dos frutos que plantamos e cultivamos ao longo da vida.
Hoje percebo o quanto me enganei e o quanto joguei contra mim mesma. E agora, até porque quero viver muitos anos, com autonomia, sem precisar de alguém para me levantar ou me ajudar com necessidades básicas, preciso correr atrás do prejuízo. Aquela preguiça ou aquele desleixo que até pouco tempo eu me permitia, hoje não me permito mais.
É simples? Automático? Nem um pouco. Ainda é muito desafiador. Todos os dias preciso trabalhar a meu favor e facilitar a minha disciplina ( assunto para uma pauta bem útil por aqui), porque a tendência é sempre "relaxar", “deixar para depois”. Fazer exercício, ter uma rotina organizada, cuidar da alimentação e manter o foco nisso não é fluido para mim, está totalmente na zona de esforço.
Não sei como é por aí, mas, em tempos de canetinhas milagrosas que “derretem” você e seus músculos, de velhinhas que já não são mais velhinhas (que saudades das vovozinhas de 65/70 anos fazendo bolinho e crochê, hahaha), frequentando academia, super bombadas, desfilando seus abdômens e bíceps torneados, devidamente botocadas… eu sigo acreditando que dá para ter saúde sem extremos. Que dá para ter um corpo forte e estruturado sem virar uma panicat. E que dá para envelhecer aceitando que o tempo chega para todos e nem por isso a gente precisa surtar.
Dito isso, no dia 02/03, depois de quase 20 dias enrolando e apenas caminhando, tomei vergonha, me olhei no espelho e decidi voltar para a minha planilha de treinos de mobilidade e força e cumprir as 20:32 o treino do dia. Afinal, preciso acompanhar essas velhinhas nada velhinhas que estão arrasando por aí.
Brincadeiras à parte, é lindo vê-las desabrochando, correndo, fazendo exercícios, viajando, cheias de vitalidade e sede de vida. Que eu possa, assim como elas, chegar arrebentando a boca do balão e, como dizia minha saudosa avó, dona Lia, ficar nos trinques.
Saudades, vó. Da sua casa, do seu carinho e dos versos falados em francês. Beijos aí no céu e para fechar, dica de ouro: nunca falte o treino de segunda-feira :P com carinho, Pat
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